A Crise no matrimónio…

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- Está na altura de trocarmos de carro por um mais económico. – digo-lhe apelando à sua
vertente ecologista

– O jipe, para além de ser do século passado, gasta 10 litros aos 100. Não é
a opção indicada nesta altura de crise.
- Pois…Está bem... – diz ela, fingindo que não me ouve (algo que efectivamente ela – e em
geral as mulheres – não conseguem fazer tão bem quanto nós, os homens).
- Conseguimos vender o carro por 4 mil euros e compramos outro meio de transporte mais
ecológico.
- E por esse valor consegues comprar um outro carro, mais ecológico? – diz ela, num tom de
gozo. – Não me digas que vamos voltar à velha conversa da mota… - diz, um pouco para o
assustada, estragando o guião que eu tinha elaborado para a conversa e que, até ali, estava a
correr na perfeição.
- Bom….Não é velha….Estava a pensar numa nova, claro…- digo com um sorriso parvo, ao
mesmo tempo que, mentalmente, tenho ver onde posso voltar ao meu guião e ganhar o
domínio da conversa.
- Já te disse que nem penses nisso. E acabou a conversa!

Depois do test-drive à mota (não me perguntem como a convenci, pois eu próprio,
massacrome por não ter gravado este ponto alto da minha carreira como marido):
- A mota até é jeitosa. – diz ela.
- E, como vês, eu sou um excelente condutor – digo enquanto tiro o capacete e abano, de
forma sensual, os meus 196 cabelos.
- Se a comprarmos, eu também a vou conduzir. Se quiseres podes vir como pendura. – diz ela,
começando, outra vez, a estragar o meu guião.
- Deixa-te disso. Vamos mas é confirmar a compra. – digo decidido.
- Não sei… Acho que temos que pensar melhor. Temos que ver as vantagens e as
desvantagens.
- Ok. Vamos ver isso: Gasta 2,5 litros aos 100. É confortável. Custa 3 mil euros, o que faz com
que ainda ficamos a ganhar mil euros com a venda do carro. Permite-nos apreciar a paisagem.
Não temos problemas de estacionamento…
- É complicado irmos os dois às compras com ela. Estamos completamente expostos ao ar. E, o
mais importante: É impossível falarmos um com o outro nas viagens. – diz ela, cortando-me a
palavra.
- Vês? Nem tu consegues encontrar desvantagens. – digo, vitorioso.

Agora anda a pensar fazer uma regressão hipnótica para me recordar dos argumentos que
utilizei, quando a consegui convencer a fazer o test-drive.


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